A divisão dos recursos arrecadados com o leilão funcionaria como um socorro emergencial às unidades federativas

Os estados e municípios poderão ficar com 20% dos recursos arrecadados com o megaleilão de petróleo do pré-sal. O valor a ser repassado aos entes federativos poderá ultrapassar 20 bilhões de reais. O acordo para a partilha do dinheiro do leilão deve ser fechado nesta quarta-feira, 21, entre o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes.

Sem esse acordo, Eunício já avisou a Guardia e Guedes que o projeto de lei para a revisão do contrato de cessão onerosa da União com a Petrobras não será aprovado na próxima terça-feira, 27. O leilão, cuja estimativa de arrecadação é de 100 bilhões de reais a 130 bilhões de reais, só pode ser realizado depois da assinatura da revisão do acordo. A cessão onerosa é uma área de exploração garantida à Petrobras em 2010. A estatal teria direito de retirar 5 bilhões de barris de petróleo, mas está sem dinheiro para investir na produção.

Apesar da pressão para fechar o acordo, Eunício deu a entender que haverá uma contrapartida por parte dos entes federativos. O fundo social que seria criado com 50% das taxas oriundas da exploração da cessão onerosa deverá ser revisto. A opção é autorizar que 30% do fundo social seja repassado para os estados e municípios ao longo dos anos de exploração e produção. Essa segunda opção é a defendida por Guardia. O ministro defendeu a proposta de que o socorro seja feito com contrapartida de medidas de ajuste fiscal. O trio deverá voltar a se reunir nesta semana para fechar o acordo.

De acordo com o líder do governo no Senado e também relator da proposta, Fernando Bezerra (MDB-PE), o atual governo do presidente Michel Temer já havia costurado um acordo para que fosse incluído no projeto o repasse do fundo social. Mas, em conversa com governadores na semana passada, Paulo Guedes afirmou que o futuro governo concordava com o repasse do porcentual do bônus de assinatura.

A concessão de 20% dos recursos arrecadados com o leilão funcionaria como um socorro emergencial para os estados que passam por grave crise financeira. Os governadores eleitos já pediram à nova equipe para a divisão dos recursos em reunião na semana passada, que contou com a presença do presidente eleito Jair Bolsonaro. No entanto, com a contrapartida, trocam-se recursos futuros por uma renda extra momentânea.